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Paraguai concentra diplomas de médicos brasileiros e crise afeta estudantes na fronteira de MS

Dos 16.154 inscritos na primeira edição de 2026, 7.277 estudaram no país vizinho, mais que Bolívia e Argentina somadas; guarani em queda e banco quebrado entram na conta de quem estuda do outro lado da fronteira

Paraguai concentra diplomas de médicos brasileiros e crise afeta estudantes na fronteira de MS
O país que vive a maior crise política em anos é também a principal escola de medicina dos brasileiros que estudam fora. Na primeira edição de 2026 do Revalida, o exame que autoriza médicos formados no exterior a trabalhar no Brasil, 7.277 dos 16.154 inscritos tinham diploma do Paraguai, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). São 45% do total, mais que os formados na Bolívia (4.227) e na Argentina (840) somados.


Para Mato Grosso do Sul, esse caminho passa pela fronteira. Pedro Juan Caballero, colada a Ponta Porã, reúne faculdades de medicina com muitos alunos brasileiros, e a volta para casa depois da formatura já virou história comum no Estado, como a da médica formada em Pedro Juan que passou no Revalida e hoje atende em Dourados.
O diploma paraguaio, sozinho, não basta para atender no Brasil. Dos 7.097 formados no Paraguai que fizeram a primeira etapa da prova em 2026, 2.446 foram aprovados, ou 34%. O índice fica um pouco acima da média geral do exame, de 30,9%, e acima do dos formados na Bolívia, de 26%. Entre os que estudaram na Argentina, a aprovação chegou a 73%.
Quem passa na primeira etapa ainda enfrenta uma prova prática e depois precisa revalidar o diploma em uma universidade pública brasileira, para só então tirar o registro no Conselho Regional de Medicina.


A queda de Santiago Peña, destituído pelo Senado e preso na sexta-feira (6), não muda as regras para o diploma, que continuam dependendo do Revalida, aplicado pelo governo brasileiro. O efeito da crise para os estudantes aparece no bolso.
O primeiro ponto é o câmbio. O dólar subiu cerca de 10% diante do guarani em uma semana, segundo o jornal paraguaio ABC Color. Para quem paga contas em guarani com dinheiro mandado do Brasil, a moeda paraguaia mais fraca pode aliviar parte das despesas, mas o efeito depende de como cada faculdade, cada locador e cada comércio cobra, já que muitos preços são fixados em dólar ou em real.
O segundo é o banco. O Ueno, cuja quebra derrubou o governo, era muito procurado por universitários brasileiros pela facilidade de abrir conta pelo celular e receber transferências da família. Com as contas congeladas, estudantes relatam dificuldade para pagar aluguel e contas. O fundo de garantia paraguaio cobre até 228,3 milhões de guaranis por cliente, cerca de R$ 210 mil, e o novo presidente, Pedro Alliana, mandou dar prioridade aos poupadores com menos dinheiro.
Para os formados que já pensam na volta, o calendário do exame segue o do Brasil. O Inep já analisou os pedidos de isenção da taxa da primeira edição de 2027. Enquanto isso, quem ainda está em sala de aula do outro lado da fronteira acompanha um país com novo presidente, moeda em baixa e um banco em liquidação.




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