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Morre aos 97 anos fundadora do Magazine Luiza, tia da empresária Luiza Trajano

Morre aos 97 anos fundadora do Magazine Luiza, tia da empresária Luiza Trajano

Morreu nesta segunda-feira, 12, a fundadora do grupo de varejo Magazine Luiza (MGLU3), Luiza Trajano Donato, aos 97 anos. A família informou a morte da fundadora do grupo, que é tia da empresária e presidente do Conselho de Administração do grupo, Luiza Helena Trajano.


“Informamos, com enorme tristeza, o falecimento hoje, 12 de fevereiro de 2024, na cidade de Franca, da fundadora do Magazine Luiza, Luiza Trajano Donato, aos 97 anos”, diz a nota, assinada por Família Magazine Luiza.


O velório e o sepultamento acontecerão nesta segunda-feira em Franca, interior de São Paulo. O velório será realizado entre 10 horas e 16 horas, no São Vicente de Paula, e na sequência o enterro acontecerá no Cemitério da Saudade.

Perfil



A fundadora do Magazine Luiza, loja que começou em Franca, no interior do Estado de São Paulo e hoje é uma das maiores varejistas do País, se considerava acima de tudo uma “vendedora nata” e dava a receita de como ter sucesso na profissão.


“Eu, modéstia à parte, me considero uma vendedora nata. A gente vende sendo franca com o cliente”, afirmou Luiza ao Estadão em novembro de 2005, quase 20 anos atrás, em uma das raras ocasiões em que concedeu entrevista à imprensa.


Na época, Luiza planejava a chegada da rede na a capital paulista, uma das paixões da empresária. Luiza, que, quando na ativa, sempre foi responsável pela expansão da companhia, dizia que não era possível chegar à capital com meia dúzia de lojas.


A entrada da varejista no principal mercado do País, tinha que ser triunfal, com “oba-oba”, como dizia ela. O que, de fato aconteceu. A rede abriu 50 lojas num único dia na cidade de São Paulo.


Discreta e simples no seu dia a dia, ela era uma comerciante à moda antiga: chamava cliente de freguês e no início da empresa vendeu muito de porta em porta, com o seu marido, também falecido, Pelegrino José Donato, com quem fundou a rede em 1957.


“A gente trabalhava a semana inteira na loja e no sábado, depois das 13 horas, viajava de caminhonete para as usinas da região de Franca, onde vendíamos centenas de aparelhos de TV pelo catálogo, produto que era novidade nos anos 1950. O Pelegrino até instalava as antenas. Todo o fim do mês nós íamos receber o pagamento”, contou.


De família de comerciantes, como pai e irmãos do ramo de secos e olhados, Luiza desde cedo tomou gosto pelas compras. Aos 17 anos, começou a trabalhar como compradora do armazém do irmão.

Pela habilidade na função, foi convidada a trabalhar para uma loja importante, chamada Higino Caleiro, que vendia de tudo. “Meu irmão disse que era para eu aceitar o convite porque trabalhar nessa loja era como se fosse para o Banco do Brasil. Fiquei 11 anos lá”, contou. Foi num lance de compra que ela conheceu o futuro marido, então representante comercial de uma rede de móveis. Luiza se casou com Pelegrino, saiu da loja e passou a acompanhá-lo nas viagens, também representando empresas.




O começo do Magalu



Na época, havia em Franca uma loja chamada Cristaleira, especializada em presentes e que estava à venda. A loja ficava na praça da igreja matriz. Luiza comprou a empresa, promoveu um concurso na cidade para a escolha do novo nome da varejista. Luiza contou que recebeu mais de 800 cartas e o nome que venceu foi Magazine Luiza. Assim nasceu o Magalu.


Apesar de ter cursado só até a quarta série do antigo curso primário, ela dava aulas de como administrar a empresa de origem familiar. Segundo Luiza, se um parente fizesse algo errado, ele não podia continuar na companhia e ressaltava que as regras “eram iguais para todos”.


Luiza não teve filhos, mas 26 sobrinhos. E os olhos da fundadora sempre brilhavam quando falava da sobrinha e afilhada Luiza Helena Trajano, hoje presidente do conselho de administração do Magalu e sócia da companhia. “Ela é a filha que eu não tive, é uma ‘senhora’ comerciante e tem o meu nome, para variar”, afirmou. Segundo a fundadora, foi sob o comando da sobrinha, Luiza Helena, que a empresa ganhou modernidade e uma marca registrada.


Hoje o Magalu é uma das maiores varejistas do País, com faturamento de R$ 44,7 bilhões em 2022, mais de mil lojas físicas, segundo dados do ranking da Sociedade Brasiliera de Varejo e Consumo (SBVC) e todo um ecossistema de vendas online que inclui marketplace.



*JORNAL MISSÃO 

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