O autocrata da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, de 62 anos, foi capturado por militares dos Estados Unidos da América (EUA) neste sábado (3.jan.26), disse o governo norte-americano de Donald Trump (Republicano), no Truth.
Além de Maduro, a primeira-dama, Cilia Flores, de 69 anos, também está entre os "capturados e levados para fora do país".
O comunicado foi dado após os EUA bombardear Caracas — Capital do país — e cidade natal de Maduro.
O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, e a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, compartilharam uma cópia da publicação de Trump no Truth Social na plataforma de mídia social X (antigo Twitter).
A invasão do país e captura do presidente foi motivado, segundo os EUA, pelo fato de Maduro ter sido indiciado em março de 2020 por conspiração para cometer "narcoterrorismo" no Distrito Sul de Nova York. A imprensa, porém, não tem acesso ao teor dessa acusação.
O QUE DIZ OS ALIADOS DE MADURO
Nahum Fernández. Foto: Reprodução
Nahum Fernández, líder do partido governista da Venezuela, disse à Associated Press que Nicolás Maduro e sua esposa estavam em sua residência dentro da instalação militar de Fuerte Tiuna quando foram capturados .
“Foi lá que eles bombardearam ”, afirmou. “E foi lá que realizaram o que poderíamos chamar de sequestro do presidente e da primeira-dama do país”, acrescentou.
Segundo a legislação venezuelana, nesse cenário em que o presidente foi capturado e removido do cargo, a vice-presidente Delcy Rodríguez deveria assumir o poder. No entanto, até o momento, não há confirmação se isso de fato ocorreu.
Trump trata o país como "de sua responsabilidade agora" e disse que "vai discutir os próximos passos sobre o destino da Venezuela", lembrando, um país independente dos EUA.
O QUE DIZ A OPOSIÇÃO
María Corina Machado. Foto: Reprodução - Facebook
María Corina Machado. Foto: Reprodução - Facebook
A líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, declarou que "chegou a hora da liberdade" para a Venezuela.
Em um comunicado publicado em sua conta oficial na rede social X, Machado afirmou que Maduro “a partir de hoje enfrenta a justiça internacional pelos crimes atrozes cometidos contra venezuelanos e contra cidadãos de muitas outras nações” e assegurou que a ação dos Estados Unidos ocorreu depois que o líder chavista se recusou a aceitar uma solução negociada.
O QUE DIZ O GOVERNO BRASILEIRO
O Presidente Nicolás Maduro e o Presidente do Brasil Lula. Foto: Ricardo Stuckert
29/05/2023 - O Presidente Nicolás Maduro e o Presidente do Brasil Lula. Foto: Ricardo Stuckert
O governo brasileiro do Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse em nota que coordenou uma reunião na manhã de hoje, 3 de janeiro, sobre os recentes acontecimentos na Venezuela.
"Participaram da reunião o Ministro das Relações Exteriores, o Ministro da Defesa, o Ministro-Chefe da Casa Civil, o Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, além de representantes da Secretaria de Relações Institucionais e do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Na ocasião, o Presidente da República reiterou os termos de sua postagem publicada na manhã de hoje".
De acordo com o governo, o Ministro da Defesa (José Mucio Monteiro Filho) indicou não haver movimentação anormal na fronteira do Brasil com a Venezuela, que seguirá sendo monitorada, e que está em contato com o Governador de Roraima.
"O Ministro das Relações Exteriores relatou os contatos que manteve com seus homólogos nas últimas horas e indicou não haver até o momento notícias de brasileiros entre possíveis vítimas dos ataques. O Ministro das Relações Exteriores informou, ainda, estar em permanente contato com a Embaixada do Brasil na Venezuela para o acompanhamento da situação interna. Nova reunião está prevista para o final da tarde de hoje para atualização da situação".
O QUE DIZ A LIDERANÇA MUNDIAL À FRENTE DO BRASIL
Enquanto líder mundial que é, Lula emitiu uma nota complementar condenando o ataques dos EUA ao território da Venezuela.
"Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional
Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo.
A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões", disse.
Ainda segundo o presidente brasileiro, a ação de Donald Trump faz recordar "os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz".
lula 2
Lula cobrou uma resposta ativa da ONU.
"A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação".













