A Câmara Municipal de Sidrolândia — cidade da região central de Mato Grosso do Sul — vai pedir ao Gecoc/MPMS acesso à investigação da Operação Dirty Pix, que revelou um esquema de propina via Pix envolvendo vereadores. A ação foi deflagrada na última terça-feira (18).
“Nós vamos solicitar todas as documentações do GAECO, porque o GAECO já tem feito esse trabalho. Até porque nós devemos sim uma resposta ao nosso município”, disse ao Jornal Midiamax o presidente da Câmara, Otacir Figueiredo, o Gringo (PP).
Na Casa de Leis, o clima ainda é de incerteza. “Se o GAECO está investigando é porque tem alguns indícios. Nada que justifique que eles de fato cometeram algo que gerou danos ao município. Então estamos certos de que a justiça precisa ser feita e confiamos bastante na justiça do nosso município”, avaliou Figueiredo.
Câmara cumpre papel de fiscalizar, garante presidente
O presidente da Câmara citou uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) aberta em julho de 2023 para demonstrar que o Legislativo tem cumprido seu papel de investigar o Executivo. O colegiado apurou supostas irregularidades em contratos na gestão da ex-prefeita Vanda Camilo (PP).
Na época, o Gaeco/MPMS deflagrou a Operação Tromper, que revelou um esquema de corrupção na prefeitura que seria liderado pelo então secretário municipal de Fazenda, Claudinho Serra (PSDB). Durante as investigações, Serra chegou a ser preso por duas vezes e hoje está sendo monitorado por tornozeleira eletrônica.
“A Câmara fez seu papel, foi aberta uma CPI e foi encaminhado todo o procedimento ao Ministério Público, inclusive à comarca do nosso município. As decisões foram tomadas e depois outras foram suspensas. O Legislativo fez seu papel, o Judiciário também fez seu papel de poder suspender. Então foi feito esse trabalho na legislatura passada e agora o GAECO trouxe toda essa informação novamente e a Câmara vai solicitar todas as informações possíveis”, concluiu.
Gecoc revela esquema de propina por Pix a políticos e presidente de hospital
A Operação Dirty Pix, do Gecoc/MPMS (Grupo Especial de Combate à Corrupção, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul), cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em Sidrolândia e Manaus (AM) nesta terça-feira, 18 de novembro de 2025.
A investigação identificou o desvio de R$ 5,4 milhões em recursos públicos destinados ao Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa. O valor foi repassado pelo Governo do Estado à Prefeitura de Sidrolândia para a compra de um aparelho de ressonância magnética e um autoclave hospitalar.
Porém, parte dessa verba foi desviada pela direção do hospital e pela empresa fornecedora, a Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos (CNPJ 20.820.379/0001-93). A empresa ainda teria pago vantagens indevidas a vereadores.
Os pagamentos eram feitos por meio de transferências Pix diretamente, ou por meio de terceiros, aos parlamentares e ao presidente do hospital, Jacob Breure.
Foram alvos da operação:
Cristina Fiúza (MDB), vice-prefeita de Sidrolândia;
Enelvo Felini Júnior, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente;
Izaqueu Diniz, o Gabriel Autocar (PSD), vereador;
Cledinaldo Cotócio (PSDB), vereador;
Adavilton Brandão (MDB), vereador;
Jacob Meeuwis Breure, presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa;
Elieu Vaz (PSB), ex-vereador;
José Ademir Gabardo (Republicanos), ex-vereador;
Júlia Carla Nascimento;
Júlio César Alves da Silva;
Comercial Gabardo (CNPJ 08.217.980/0001-90);
Gabriel Auto Car (CNPJ 19.409.298/0001-16);
Farma Medical Distribuidora de Medicamentos e Correlatos (CNPJ 40.273.753/0001-95);
Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos (CNPJ 20.820.379/0001-93).
“Dirty Pix”, termo que dá nome à operação, traduz-se da língua inglesa como “Pix sujo”, e faz alusão à natureza ilícita das transferências financeiras utilizadas para viabilizar o esquema.
Fonte : Midiamax














