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Vereadores entram com representação no MPE contra folha de pagamento da prefeitura

Vereadores entram com representação no MPE contra folha de pagamento da prefeitura

Os vereadores de oposição em Campo Grande, Professor André Luis (Rede) e Luiza Ribeiro (PT), ingressaram com uma representação no Ministério Público Estadual (MPE) contra a Prefeitura de Campo Grande.


Os vereadores alegam que apresentaram requerimento à Mesa Diretora da Câmara Municipal de Campo Grande, para que fosse expedido ofício à Secretária Municipal de Gestão à época, Maria das Graças Macedo, solicitando informações detalhadas sobre o acentuado crescimento na folha de pagamento, passando de R$ 1,646 bilhão para R$ 2,590 bilhões, de 2019 a 2022; verbas pagas sem registro no portal da transparência; bem como aumento da alíquota previdenciária. Todavia, relatam que o ofício foi derrubado na Câmara.


Após o pedido, os vereadores afirmam que tiveram conhecimento da inspeção aberta pelo Tribunal de Contas do Estado e voltaram a pedir informações, mas sem sucesso. “Portanto, não resta alternativa aos representantes, que não seja o oferecimento da presente representação, para ver cessar as irregularidades e ilegalidades perpetradas pela administração municipal, no que se refere à folha de pagamento dos servidores municipais, o que tem mantido elevada a despesa total com pessoal e justificado o não pagamento de verbas devidas a várias categorias de servidores”, alegam.


Os vereadores destacam a inspeção do Tribunal de Constas, pontuando a necessidade de investigação dos seguintes pontos: (I) o elevado número de servidores contratados temporariamente, (II) o pagamento de gratificações em desacordo com a lei, (III) outras vantagens remuneratórias que necessitam de esclarecimentos, (IV) a incompatibilidade do recebimento de gratificações de dedicação exclusiva e de representação pelos servidores comissionados, (V) a incompatibilidade do recebimento de Gratificação por Encargos Especiais e de Gratificação de Dedicação Exclusiva por pessoas contratadas por tempo determinado, (VI) o aumento substancial da remuneração de determinados servidores pelo pagamento de Jeton, pela participação em órgão de deliberação coletiva, e Gratificação por Encargos Especiais e (VII) a ausência de isonomia na remuneração dos professores contratados temporariamente.


Os vereadores afirmam que a falta de transparência das folhas faz com que a remuneração de alguns servidores tenha um incremento superior a 100% (cem por cento), o que consideram um escândalo.


Luiza e André Luis solicitam a instauração de um inquérito civil para apurar as denúncias nas gestões de Marquinhos Trad (PSD) e Adriane Lopes (PP), bem como expedição de recomendação à administração municipal de Campo Grande para que sejam cessadas imediatamente as práticas lesivas ao patrimônio público e ofensivas aos princípios da administração pública descritas na representação.


“Ao final das investigações e eventuais diligências, formada a convicção desse r. órgão do Ministério Público quanto a efetiva prática dos atos de improbidade administrativa indigitados, seja ajuizada a competente Ação Civil Pública, para responsabilizar os representados e aplicar-lhes as cominações previstas no art. 12 da Lei de Improbidade Administrativa, sem prejuízo do ressarcimento integral do dano patrimonial e das sanções penais comuns e de responsabilidade, civis e administrativas previstas na legislação específica”, concluem.


Inspeção


Em abril deste ano, o TCE informou que encontrou divergência de R$ 386,1 milhões com folhas de pagamento incompatível com a despesa executada orçamentariamente e despesas que indevidamente não passaram pela execução orçamentária.


A inspeção encontrou ausência da consolidação dos cargos e sua publicidade no Portal da Transparência; cargos comissionados sem a descrição das atribuições ou atribuições genéricas; transformação de cargos efetivos por ato infralegal; e elevado volume de contratação temporária de pessoal; irregularidades e/ou ilegalidades que podem ter causado a elevada despesa com as folhas de pagamentos de 2022.Segundo conselheiro, o Portal da transparência não cumpre os requisitos legais.


Em agosto, o presidente do Tribunal de Contas do Estado , Jerson Domingos, anunciou a instituição de um grupo de trabalho para a criação um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a instituição e a Prefeitura de Campo Grande. Jerson justificou que há tratativas para a regularização voluntária dos atos e procedimentos apontados como irregulares na inspeção do Tribunal de Contas.


Foto: Divulgação/Câmara

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