1920 - O Brasil estreia nos Jogos Olímpicos da Antuérpia, conquistando suas primeiras medalhas (100 anos).
338 a.C. — Um Exército macedônio liderado por Filipe II derrota as forças combinadas de Atenas e Tebas na Batalha de Queroneia, garantindo a hegemonia macedônica na Grécia e no Egeu.
216 a.C. — O exército cartaginês liderado por Aníbal derrota um exército romano numericamente superior na Batalha de Canas.
461 — Majoriano é preso perto de Tortona (norte da Itália) e deposto pelo general suevo Ricímero.
1274 — Eduardo I da Inglaterra retorna da Nona Cruzada e é coroado rei dezessete dias depois.
1665 — A Inglaterra ataca navios mercantes holandeses na Batalha de Vågen.
1675 — Inauguração da Sinagoga Portuguesa de Amsterdão.
1776 — Acontece a assinatura da Declaração da Independência dos Estados Unidos.
1897 — O Cerco de Malakand termina quando uma coluna de socorro é capaz de alcançar a guarnição britânica nos estados de Malakand.
1903 — Começa a Revolta de Ilinden-Preobrazhenie contra o Império Otomano.
1914 — Império Alemão declara guerra à Bélgica; o Exército Alemão entra no Luxemburgo; O Reino da Itália declara a neutralidade.
1920 - O Brasil estreia nos Jogos Olímpicos da Antuérpia, conquistando suas primeiras medalhas (100 anos)
1932 — O pósitron (antipartícula do elétron) é descoberto por Carl David Anderson.
1939 — Albert Einstein e Leó Szilárd escrevem uma carta a Franklin Delano Roosevelt, aconselhando-o a iniciar o Projeto Manhattan para desenvolver uma arma nuclear.
1945 — Termina a Conferência de Potsdam, na qual as potências aliadas decidem o que fazer com a Alemanha após o fim da Segunda Guerra Mundial.
1980 — Uma bomba explode na estação ferroviária de Bolonha, Itália, matando 85 pessoas e ferindo mais de 200.
1989 — O Paquistão é readmitido na Comunidade das Nações depois de ter restaurado a democracia pela primeira vez desde 1972.
1990 — O Iraque invade o Kuwait, posteriormente levando à Guerra do Golfo.
2005 — O voo Air France 358 pousa no Aeroporto Internacional Pearson de Toronto, derrapa e sai da pista, deixando 12 feridos e nenhuma morte registrada.
Morte do jornalista, crítico literário, ensaísta e romancista baiano, membro da Academia Brasileira de Letras, Adonias Aguiar Filho (30 anos)
Dia Internacional da Cerveja - comemoração móvel internacional, sempre na primeira sexta-feira de agosto, que foi lançada em 2007 na cidade norte-americana de São Francisco na Califórniaês
Lançamento do jornal fluminense “Gazeta de Notícias” (145 anos) - introduziu uma série de inovações na imprensa brasileira, como o uso do clichê, das caricaturas e da técnica de entrevistas, chegando a ser um dos principais jornais da capital federal durante a República Velha
1920 - O Brasil estreia nos Jogos Olímpicos da Antuérpia, conquistando suas primeiras medalhas (100 anos)
- Foi uma aventura, foi uma viagem épica, uma competição épica - define Kátia Rubio, professora da USP e especialista em esporte olímpico.
- Foi a primeira oportunidade do Brasil, participando de uma Olimpíada - recorda Cristina Ferraz, sobrinha neta de Afrânio da Costa.
- Desde aquela época a gente viu que o povo brasileiro é muito guerreiro. E, realmente, eles estavam com muita vontade de ganhar essa medalha - destaca o medalhista olímpica Felipe Wu.
Guilherme Paraense (2º da esq. para a dir.) e Afrânio da Costa (ao lado) com a equipe brasileira em Beverloo — Foto: COI
Eles estão falando da maior relíquia olímpica do país. A primeira medalha do Brasil. Conquistada há exatos 100 anos, na Bélgica, no dia 2 de agosto de 1920. Prata de Afrânio da Costa no tiro com pistola livre, calibre 22. A medalha e a arma repousam no museu do Fluminense. Um pedido do dono, tricolor de coração.
- É como se a medalha fosse do Fluminense. Tanto é que ele pediu que tudo que fosse referente a isso, à vida esportiva dele, todos os troféus, medalhas, documentos, tudo, as armas também, tudo fosse dado ao Fluminense, e assim foi. Tá tudo lá - revela a sobrinha neta de Afrânio.
Naquele mesmo 2 de agosto, outra conquista. Medalha de bronze por equipes na pistola livre com Afrânio da Costa, Guilherme Paraense, Sebastião Wolf, Dario Barbosa e Fernando Soledade. Um dia depois, veio o ouro, também no tiro. O primeiro tenente do Exército Guilherme Paraense faturou a medalha no revólver, calibre 38.
Aqueles Jogos Olímpicos foram realizados logo após uma pandemia. A de gripe espanhola, que durou de 1918 a 1920. No Brasil, 35 mil pessoas morreram por causa do vírus. Entre elas, o presidente da República, Rodrigues Alves. Estima-se que cinquenta milhões de vidas foram perdidas no mundo, na maior pandemia do século 20.
Tudo isso logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, que havia cancelado os Jogos Olímpicos de Berlim, em 1916. Aquele era o cenário para a realização das Olimpíadas da Antuérpia.
Guilherme Paraense carrega bandeira no desfile da cerimônia de abertura em Antuérpia — Foto: COI
- A Bélgica havia sido destruída pela Primeira Guerra Mundial. A Bélgica que era, naquele momento, um queijo suíço, porque ela era inteira atravessada pelas trincheiras abertas por soldados aliados e não aliados - recorda Kátia Rubio.
Os Jogos da Antuérpia foram a estreia do Brasil em Olimpíadas. E Afrânio Antonio da Costa foi o primeiro porta-bandeira do Brasil em Jogos Olímpicos. O jornal “O Paiz”, do Rio de Janeiro, em sua edição de 3 de julho de 1920, deu destaque para a delegação brasileira.
- Vinte e um atletas, dez na natação e polo aquático, três no remo, um no salto em distância e os sete atiradores - destacava o periódico.
As longas distâncias naquele tempo eram percorridas de navio. Então, para chegar até a Bélgica, eles tiveram que cruzar o oceano Atlântico. Era uma viagem que demorava dias e não poupava passageiros e tripulantes de atrasos e de outros problemas em alto mar. Pois o roteirista da primeira viagem olímpica brasileira caprichou no quesito emoção.
Os relatos detalhados da viagem eram enviados pelo atirador Afrânio da Costa, o chefe da equipe brasileira de tiro. Em um dos primeiros textos, uma explicação sobre o que era ser um atleta olímpico naqueles tempos.
- A delegação brasileira seguiu para a Europa no dia 1 de julho de 1920. Deixava atrás de si as maledicências dos descrentes e dos invejosos, que se referiam às aspirações da equipe da seguinte forma: não vão arranjar nem pro bife - escreveu o futuro medalhista olímpico.
Atiradores no campo de Beverloo, nas Olimpíadas de 1920 — Foto: COI
- Nessa época, 1920, dentro do Brasil, não havia essa empolgação com o esporte, né? - diz o historiador Eduardo Ferreira, autor de um livro sobre a saga brasileira até as primeiras medalhas.
- Diziam que o esporte é para desocupado, para vagabundo que não quer trabalhar, não quer estudar - completa.
Na viagem, dormir foi uma prova de resistência.
– O navio Curvelo estava longe de ser um transatlântico de luxo. Tratava-se de um navio de três classes, sem o mínimo conforto, com seus camarotes mais se parecendo com uns cubículos, sem ar, sem mobiliário e ainda, acima de tudo, sem água. Diante disso, os atletas foram ao comandante Reis Júnior e pediram para dormir no bar, pois era mais amplo e mais arejado do que os camarotes - afirma Ferreira.
- Mas só podiam dormir no bar depois que as pessoas todas acabavam de beber, de ficar lá, e as pessoas não paravam de beber e eles não podiam dormir. Enfim, foi uma viagem terrível - relata a sobrinha neta de Afrânio.
Valéria, neta de Guilherme Paraense, que conquistaria o primeiro ouro brasileiro em Olimpíadas, ouviu do avô passagens da saga.
- O mais difícil era justamente a acomodação e não poder treinar, por causa do balanço. Cabines pequenas, abafadas, o calor que eles sentiram por ser muito pequena. Eles tinham muita dificuldade. Eles preferiam ficar no convés, que era muito difícil, mas tentaram o bar, que era mais fresco também. Meu avô também não passou bem com coisa de alimentação, teve problemas estomacais. A trajetória, ou melhor, a travessia não foi das melhores. Não foi prazerosa. Não foi para quem está numa expectativa de chegar numa competição com os melhores do mundo na época. Isso foi a parte ruim. Fora as outras, como a parte terrestre, que também não foi fácil. Aliás, nada foi fácil desde que eles saíram daqui. Acho que a parte mais fácil foi ganhar as medalhas - brinca Valéria.
Prova de tiro no campo de Beverloo — Foto: COI
Não bastassem as noites mal dormidas, veio uma notícia assustadora.
- No dia da chegada à Ilha da Madeira, em Portugal, o comandante informou que o Curvelo somente chegaria à Antuérpia no dia 5 de agosto, depois das provas de tiro. Como a bordo fora combinado, a equipe desceu em Lisboa, a fim de seguir por terra. A viagem, que de antemão sabíamos ser penosa, em muito ultrapassou à expectativa, e só organizações de grande rigidez poderiam resistir ao abalo sofrido e produzir o resultado obtido - escreveu Afrânio em seu relato.
Ali, a equipe de tiro se separou do resto da delegação brasileira.
- Eles desembarcam em Portugal. O cônsul brasileiro busca recursos pra eles irem de trem de lá até a Bélgica, enfim, é uma odisseia - resume Kátia Rubio.
Uma odisseia que parecia sem fim e que teve mais um imprevisto. Um assalto no meio do caminho.
- Ao partimos de Bruxellas, fomos roubados em alvos e quase toda munição 38, de forma que eu e o Paraense ficamos reduzidos a 100 balas cada um, para treinar uma semana e atirar nas provas oficiais 75 tiros. Foi este o estado de corpo e de espírito em que os nossos atiradores sem dormir e mal alimentados, debilitados ainda mais pelo frio, chegaram a Berverloo, a 26 de julho, ao meio dia - acrescentou mais um trecho do relato de Afrânio.
Chegaram e não tinha Vila Olímpica.
- Afrânio vai até o acampamento americano e quando ele chega no acampamento os atletas, o chefe da delegação estava jogando xadrez. E ele fica atrás do chefe e começa a cantar a jogada para o cara da delegação americana. E, aí, esse cara ganha a partida e fala assim: ‘Quem é você?’ Aí ele começa a contar a história brasileira… - retrata a professora da USP.
Afrânio da Costa, primeiro medalhista olímpico do Brasil — Foto: Arquivo pessoal
O próprio Afrânio relatou a “jogada de mestre”:
- Lane e Backer, dois famosos campeões, jogavam uma partida de xadrez, fui peruar o jogo e arrisquei uma opinião na partida, acharam boas. Daí por diante entraram em franca camaradagem. Ao fim da noite, já haviam dado ali armas, cartuchos 38 e 50 alvos, material fabricado expressamente para o concurso.
Noventa e quatro competidores disputaram a categoria individual e 17 países a prova por equipes.
- Apesar das más condições que se disputaram as provas, com um abatimento moral e físico que lhe fez diminuir no conjunto cerca de 30% dos resultados obtidos no Rio de Janeiro, a equipe brasileira foi um dos conjuntos mais fortes de tiro durante os jogos olímpicos - relatou Afrânio.
Eram armas pesadas, com munição real. Bem diferentes de hoje em dia. Atualmente é uma pistola de ar comprimido, tem cerca de um quilo e meio, a empunhadura é feita sobre medida para a mão de cada atirador e tudo é regulável.
Nos Jogos do Rio em 2016, o tiro brasileiro voltou ao pódio. A primeira das 19 medalhas do Brasil nas Olimpíadas em casa saiu da moderna pistola de ar de Felipe Wu, 96 anos depois da conquista de Afrânio Costa.
- Desde que eu comecei no esporte eu já ouvia essa história do Guilherme Paraense e do Afrânio Costa. Essa nova conquista foi bastante importante pra relembrar toda essa história da conquista deles cem anos atrás, e também escrever a história daqui para frente - diz Wu.
A história dos atiradores de 1920 foi escrita com um final surpreendente. Aquele time que partiu pouco reconhecido para as Olimpíadas retornou ao Brasil valorizado pelos jornais da época.
- Eles são recebidos, sim, com festas no porto de Santos e no porto do Rio de Janeiro, mas não dá para a gente comparar o nível de popularização que o esporte tinha nessa época e com o que a gente tem hoje - pondera Katia Rubio.
Fonte: ConteúdoMS



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